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Sergio Freire

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Nelito

December 26

"linked-out" - a sustentabilidade das relações

Estabelecem-se teias nas quais se interligam as pessoas. Criam-se elos virtuais e reais entre pessoas que jamais conheceríamos...
Isto não é fruto da web 2.0, nem das redes sociais, é sim um conceito que sempre existiu.
As relações entre as pessoas são estabelecidas de diversas formas e poucas vezes são fruto do acaso. Na maioria dos casos, uma relação nasce fruto duma outra relação e assim sucessivamente. As pessoas conhecem-se porque se relacionam com outras pessoaas  que as conhecem. O "jogo de influências" aproveita-se precisamente deste facto.
Mas que teia é esta que cria relações, a partir de outras? Qual é a sua sustentabilidade?
A questão sobre a qual há que pensar é a força destas relações e o seu grau de "veracidade".. pior, há que averiguar se esta teia que aparentemente nos arranja um "monte" de amigos não torna por outro lado as pessoas mais sós e a afastadas daqueles laços que se deveriam manter cruciais. Preocupamo-nos em ter muitas folhas duma árvore, não olhando para o tronco que a sustenta.
Não há nada que impeça que as pessoas tenham uma enorme lista de contactos, amizades, relações. E boas relações e amizades podem surgir desta forma de relacionamento social.

Mas há uma pergunta que para mim me apoquenta: se podemos criar tantos elos nesta rede social que é a vida, de que forma fica a teia se lhes cortarmos um dos elos que nos permitiu aceder a um conjunto relevante de pessoas?

Essa pergunta é realmente importante e pertinente se a forma de acedermos a uma ou a um conjunto de pessoas for a partir desso elo quebrado.
Qual a metáfora que poderemos aplicar?
 1. o galho que cai com todas as suas folhas, quando cortamos o ramo que o sustenta?
 2. ou uma verdadeira teia, em que cortamos um dos fios entre duas pontas e apesar disso outros, por outros caminhos, permitem chegar aos mesmos pontos?

Acho que tudo depende da proximidade da folha ao ramo, ou melhor, da(s) pessoa(s) alvo relativamente à pessoa que deixou de ser elo de ligação para passar a ser elo de afastamento.

As relações humanas são muito complicadas de entender. Não há rede social que seja a solução pois no fundo cada um de nós encerra uma vontade, um feitio e uma personalidade só nossas.
Há quem procure diferentes tipos de teias e de relacionamentos, que sustentam toda uma filosofia distintiva.
A miscelânea existente numa aparente teia global de relacionamentos, onde todos são amigos de todos, não corresponde à realidade.As pessoas procuram relacionamentos junto das pessoas que não põem em causa a sua teia. São relações de proximidade, podem ser de afinidade, como podem até de ser de alguma conveniência. 

SF

June 24

Escura noite...

Hoje está uma noite escura.
Escura porque o vento sopra preto e não deixa ver o horizonte.
Escura porque este som ensurdecedor do silêncio não deixa ver.
Escura porque estas nuvens carregadas humedecem os sentimentos.
Escura porque teima em não amanhecer.
Escura não é a noite mas tudo aquilo que a alimenta.
Escuro não é o olhar dum cego mas sim daquele que bons olhos não vislumbra quem está à sua volta.
Coitado não daquele que chora e espele as suas mágoas mas sim daquele cuja escuridão o consome por dentro de tal forma que lhe seca a água de suas lágrimas.
Os sonhos surgem na noite. E os pesadelos nas noites escuras...
As noites escuras não deixam brilhar o dia, nem a própria noite!
Os pesadelos, filhos destas noites, misturam-se com a realidade, tal como a neblina se mistura com o ar.
Tal é a mistura que realidades saem da noite e acabam perdidas nos sonhos e dos primos dos sonhos, esses a quem chamam pesadelos, saem excertos da vida que se tornam em escuras realidades, num guião em que é dificil distinguir a história da realidade. 
Escura é a noite em que uma criança pode rir mas acaba a chorar.
Escura é a noite em que as palavas são do preço do ouro.
 
Adoro a noite clara, iluminada pela luz do luar. Aquela noite em que o tempo merece parar para contemplar cada segundo.
Adoro a noite, com uma suave brisa que desperta.
Adoro a noite, mas não esta.
 
SF
 
June 12

a linguagem do silêncio

Se há algo que aprendemos, pôr-do-sol após pôr-do-sol, é que o silêncio é o nosso maior conselheiro.
A sua sabedoria é imensa.
Permite-nos:
 - não dizer asneiras
 - escutar ouvindo
 - perceber o porquê da sua existência
 
Algumas coisas demoram a aperfeiçoar e uma delas é perceber a linguagem do silêncio.
Já vai tarde e o sono cansa depois de tanto caminhar pelas terras de nuestros hermanos mas ainda assim... ainda assim aproveito as últimas forças para te revelar OH SILÊNCIO!
A tua lingúística é complexa tal como a tua sintaxe morfológica.
As tuas "frases" têm significados próprios dependendo do contexto, do passado, do presente e do futuro das pessoas que te usam para falar.
Aprendi a ler os teus lábios, a saber descodificar parte das tuas palavras e ainda assim... ainda assim não te entendo.
Sei que aquilo que dizes por vezes é tão óbvio que não é preciso qualquer contexto.
Tantas são no entanto as vezes que preciso de recorrer ao dicionário para encontrar o significado de algumas palavras
Aprendi a viver contigo, OH SILÊNCIO.
Possuis a alma de algumas pessoas e usa-las para dizer o que pensas, para mostrar as tuas revoltas, os teus desejos, as tuas dúvidas.
Por favor, larga estas almas e deixa-as falar por si próprias. Não as uses para dizeres o que pensas. Deixa-as falar.
SF

pequena revolta

É difícil entender algumas coisas. Mas outras é impossível.
A procura e a vontade de vencer o desconhecido é ainda maior quando o desafio se torna impossível.
Será que ele um dia verga e a sua teimosia não insiste em fechar a sua porta?
Sei o que procuro mas sobre isso as palavras não podem contemplar mais do que o silêncio.
Busco o calor no sombra... à noite?
SF
March 22

Apaixonei-me pelo desconhecido...

Há muito tempo que perdi o rumo.
Tudo começa com uma pergunta e acaba numa sequência infindável de dúvidas. Se por um lado é bom não as ter... por outro, se não as tivesse tudo perderia a sua piada. Não haveria razão para resolver as matrizes multidimensionais que compõem a nossa vida. Somos apenas uma de muitas variáveis, dum mundo delas, parte integrante desta equação para a qual não há alfabeto possível para as descrever.
Apaixonei-me por toda esta intriga que é o mundo que nos rodeia. Apaixonei-me pela busca daquilo que não consigo encontrar. Apaixonei-me pela procura.
Mas os desgostos muitas vezes advêm dos desaires ou da falta de empenho que inevitavelmente conduz ao insucesso.
Como gostava de me apaixonar ainda mais por tudo o que não conheço e não domino, como gostava de ter essa sede sempre presente e que ela me obrigasse, sem qualquer desculpa, a procurar pela água que me pode saciar.
Falta a sede, não há Sol suficiente para a forçar.
Já tive dias em que os lábios estavam áridos como o deserto do Sahara... e que bem me soube!
Onde pára o Sol? Onde se escondem seus raios?
Mas podemos nós amar o desconhecido, sem o sabermos?
Essa é uma pergunta cuja resposta não é possível de dar pelo próprio. Não faria sentido, senão o desconhecido era conhecido e já não se puderia amar.
No entanto temos de nos perguntar "serei eu amado por tudo aquilo que desconheço? Ou por alguém que desconheço? E se eu conhecesse tudo isso ou essa pessoa... seriam eles amados por mim?"
Há questões que não conseguimos responder e que ficam e ficarão sempre no ar... por nossa culpa... por culpa de algo que desconhecemos... ou ainda devido a alguém que desconhecemos.
Mas será que conhecemos aqueles que não são desconhecidos? Esta é de facto a pergunta.
A resposta não jaz em nós mas sim nos outros. Podemos descascar uma banana mas nunca podemos ter a certeza absoluta que lá dentro está aquele miolo doce que nós conhecemos. Sim, não podemos saber com 100% de garantias... até porque... quem nos disse que de facto aquilo é uma banana? Alguém que conhecemos ou que julgamos conhecer?
Não há certezas. Não há garantias.

Mas de facto podemos apaixonar-nos pelo desconhecido... só que nunca o vamos saber.
Para nosso bem ou nosso mal. Mas se também nunca o soubermos, também não sofremos. O problema é se um dia mais tarde viermos a descobrir e a conhecer o que julgávamos não conhecer.
February 26

Odeio...

Odeio a circunstancialidade...
Odeio a lembrança fruto da causalidade.
Odeio quando alguém se lembra de nós apenas quando tropeça em nós.
Odeio tropeçar nisto constantemente.
Odeio que não se lembrem.
Odeio mas é a vida.
Odeio mas faz parte da vida, pois a vida não tem culpa.
Odeio o destino, por não ser meu.
Odeio saber que as pedras são rijas como rochas.
Odeio saber que a água culmina no mar.
Odeio ser uma da manhã e eu sem descansar.
Odeio amanhã ser outro dia mas o mesmo.
Odeio nunca ver o amanhecer.
Odeio nunca adormecer sossegado.
Odeio dormir inquietado.
Odeio nunca mais encontrar a criança.
Odeio que ela se tenha perdido.
Odeio o ódio.
Odeio-o e no entanto parece que o amo.
 
Talvez seja porque hoje vesti uma sweat e estava frio... talvez seja do nada... talvez seja do tudo... talvez sejam dos sonhos... talvez seja do que me deixa cansado... talvez, talvez.
Afinal, o que é que odeio eu?
February 24

Escrevo ao vento...

(Isto não é um poema... pois há muito disse que iria deixar de os escrever)

Escrevo ao vento
As palavras que ele não me retorna
Já não sei porque escrevo
Enquanto escrevia esqueci-me da direcção
Parece que o ar aqueceu
Anticiclone? Corrente? Furacão?
Algum que enloqueceu
Fruto de tanta e enorme depressão

O vento sopra, sem destino
Traz, leva, aquece e arrefece
Como posso eu saber o seu tino?
Ninguém sabe, toda a gente esquece

O mundo está revirado
De fora para dentro, de dentro para fora
O vento sopra e parece sussurar
Ele está cá e vai continuar
Não entendo as palavras...
Serão gritos? Serão suspiros?
Espero que não seja apenas para gozar
Oh vento já ajudavas!
A entender porque sopras e disparas
Tantas folhas, tantas correntes
E nunca páras...
E nunca páras...
 
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